terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Hose's Neck


Quando a fama do coquetel é a decoração e não dos ingredientes. Acho que podemos definir o Horse’s Neck dessa forma. Pois em todas as fontes pesquisadas, faz referência à decoração, um espiral feito com casca de limão siciliano, que se assemelha com o pescoço do cavalo, daí o nome do coquetel. Já os ingredientes podem variar desde que contenha Ginger Ale em sua composição, algumas receitas citam apenas o Ginger Ale como ingrediente.
            Para quem não sabe Ginger Ale é, a grosso modo, uma água gaseificada aromatizada com gengibre e açúcar, mas existe versões mais elaboradas que em sua composição levam leveduras, assim como a cerveja, existe alguns relatos sobre cerveja de gengibre. Mas para nós, hoje, é importante saber que Ginger Ale é quase um refrigerante de gengibre, muito refrescante.
            No início do século XX nada era mais divertido do que ir a corridas de cavalos e tomar coquetéis enquanto torcia para que o azarão fosse o campeão, e na época todo clube de corridas tinha um bar que criava seu coquetel específico, e na inauguração do New York Equestrian Club o Horse’s Neck ganhou fama por não ser servido durante o jantar. Mas também pudera, o Jantar foi servido em cima de cavalos vivos, a imprensa noticiou, de forma jocosa, que para ser mais escandaloso o sr. Billings, dono do novo clube, deveria ter servido carne de cavalo de prato principal e pescoço de cavalo como coquetel.
            Depois desse fato, toda bebida, alcóolica ou não, cuja decoração lembrasse o pescoço de cavalo, automaticamente se chamaria Horse’s Neck. E tempos depois só as bebidas com Ginger Ale se chamariam Horse’s Neck muito por causa da cor da bebida, que lembra a cor do pelo do cavalo.
            Mas para esta história estar aqui deve haver alguma receita na IBA, com este nome, certo? Sim realmente a IBA reconhece sim um coquetel como Horse’s Neck. Entretanto, vale mais a história do que a receita, que muitas vezes substitui o Brandy por Bourbon Whiskey
            Saúde.

40 ml Brandy
110 ml Ginger Ale
Gotas de Angostura Bitter

Em um copo alto coloque o espiral de casca de limão de forma que sobre uma parte para fora do copo, adicione gelo e todos os ingredientes, mexa delicadamente e sirva em seguida.

sábado, 26 de novembro de 2011

Rob Roy


          Um fora da lei também merece homenagem? Foi isto que me inquietou durante a pesquisa deste coquetel.
            Penso que sim, pois Robin Hood, que roubava dos ricos para dar aos pobres, este é um bom motivo para ser homenageado, e quando não há uma boa ação por trás dos crimes? Como, por exemplo, dever para o governo escocês e depois de ter as terras apreendidas, travou uma vingança de sangue com o Duque que apreendeu as suas terras. Este infrator merece homenagem?
            Robert Roy MacGregor, foi um daqueles homens que fez de tudo um pouco na vida, lutou em guerra e foi pecuarista e é a partir desta fase pecuarista que tornou-se famoso, uma vez pegou dinheiro emprestado ao governo para aumentar seu rebanho, depois de perder o rebanho, o dinheiro e as moratórias o Duque de Montrose apreendeu suas terras, como forma de pagar suas dívidas, mas Rob Roy jurava que perdeu as moratórias e o dinheiro e, por isso, jurou vingança ao Duque. Estamos falando de uma época remota (idos de 1700) onde fio de bigode tinha valor.
            Após muito sangue rolar, Rob Roy se viu obrigado a se render em 1722, cinco anos mais tarde a corte o absolveu das acusações. Porém nunca ficou provado se ele realmente perdeu, ou se ele queimou as moratórias.
            Anos mais tarde, 1894, no Hotel Walford, em Nova York, o barman aproveitou o áureo momento que o hotel vivia e lançou este coquetel na cor dos cabelos de Rob Roy, e homenageou este anti-herói escocês.
            Muito parecido com o Manhattan, a diferença fica no scotch whisky, já o Manhattan é com whiskey americano, diferença que vale uma homenagem.
Cheers!!!
45ml Schotch Whisky
25 ml Vermouth tinto
1 Dash de Angostura
Coloque todos os ingredientes no mixing glass com gelo. Mexa bem, Coe para uma taça previamente resfriada. Decore com cereja

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Rusty Nail

              A história deste coquetel está muito relacionada com seus ingredientes, whisky escocês e licor Drambuie, que é um licor à base de Whisky, mel e ervas aromáticas, o que lhe confere um aroma muito peculiar.
          O surgimento deste coquetel varia entre 1930 até 1950, dependendo da fonte pesquisada, ou seja, estamos novamente na época da lei seca americana, mais um coquetel criado para driblar uma das leis mais severas que existiu contra a bebida alcoólica? Talvez.
            Fontes relatam que o “Prego Enferrujado”, traduzindo literalmente, tem este nome graças ao prego que o bartender usou para mexer o coquetel, acredito muito pouco nesta versão, já que o coquetel tem a cor de um prego no começo de uma oxidação.
            Outras fontes dizem que este coquetel é de New York e era tendência em alguns bares da cidade, porém o Club 21 foi o primeiro a dar o nome que o tornou clássico da coquetelaria mundial.
            O Club 21 era um Speakeasy muito bem freqüentado na década de 1930 nos Estados Unidos, por ser a época da lei seca, sobravam whiskies nos bares subterrâneos, e não demorariam muito para começarem a misturar o Whisky com outros ingredientes como o mel, por exemplo, logo não seria difícil existir algo precursor do famoso Drambuie, o que diminuiria o sabor ruim do whisky da época.
            Levando em consideração que os Speakeasies não eram bares que recebiam luz solar e nem eram muito bem limpos, já que muitas vezes ficavam embaixo de pisos de madeiras, não seria surpreendente existir realmente algum prego enferrujado à mão do bartender.
            Seja com prego enferrujado, ou apenas a cor do coquetel que lembre o enferrujar do prego. O Rusty Nail se imortalizou como uma saída para aqueles que gostam de whisky, mas o acham muito potente no paladar.

Saúde!

45ml Whiky Escocês
25 ml Licor Drambie
Coloque todos os ingredientes no copo Old Fashioned com gelo. Mexa delicadamente.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Caipirinha


No dia da Cachaça não pode faltar o coquetel mais popular do mundo da última década a caipirinha. A história da caipirinha está totalmente atrelada a história do destilado que é febre no mundo, principalmente EUA, e na história do Brasil.
Como todos sabem a cachaça surgiu com os escravos da Capitania de São Vicente, onde ficava o engenho da corte real, algumas fontes dizem que foi por um acaso que a cachaça foi descoberta, através do calor para fazer rapadura o que pingava do teto era alcoólico, daí o nome pinga, um dos mais de mil sinônimos da cachaça.
A cachaça viveu desde seu início vários momentos de altos e baixos, primeiro como bebida de escravos, mas participou da inconfidência mineira, da semana da arte moderna de 22, foi sinônimo de bebida de pobre e hoje vive um momento de redescoberta por brasileiros e de descoberta por ouros povos, a Alemanha, por exemplo, é um dos maiores importadores do nosso aguardente.
A caipirinha surgiu em alguma cidade do interior de São Paulo, a mistura de aguardente de cana, limão e açúcar já era grande conhecida por todos da Capitania de São Vicente como excelente remédio contra a gripe, e com os avanços tecnológicos adicionaram gelo a essa mistura e pouco a pouco foi difundida por todo o Brasil e ganhar o mundo.. Uma versão interessante para o surgimento da caipirinha foi a que consta no livro O Xangô de Baker Street”, escrito por Jô Soares, que o Dr. Watson, amigo de Sherlock Holmes, criou a caipirinha para evitar que o Sherlock sentisse algum mal estar se provasse a cachaça com limão. Vale a pena assistir o filme homônimo.
Para quem não sabe a caipirinha e a cachaça seguem algumas regras para serem fabricadas, por exemplo, a Caipirinha deve ser feita de Cachaça, limão e açúcar,com graduação alcoólica entre 15 e 36 graus e temperatura de 20ºC e podendo adicionar água para que a graduação alcoólica fique dentro do estipulado. Uma curiosidade sobre o modo de preparo da Caipirinha é que não existe corte específico do limão, porém a maioria dos bartenders dizem que é necessário a retirada do miolo para não amargar o coquetel. Entretanto, o que poucos sabem é que o miolo é retirado na maioria das vezes para facilitar a extração do sumo do limão, já realizei testes e o miolo não interfere no sabor. E o óleo que sai da casca do limão é parte do sabor da Caipirinha.
Um fato importante para a fama mundial da Caipirinha aconteceu em 1993, quando o então presidente da Associação Brasileira de Bartenders (ABB) e Vice-Presidente da Associação Internacional de Bartenders (IBA), Derivan de Souza, defendeu o coquetel legitimamente brasileiro a fazer parte da lista dos Coquetéis Populares IBA.
A Caipirinha tem diversas versões, mudando a fruta trocando o limão por morango, abacaxi, kiwi, lichia, caju ou misturar todas as frutas, ou o destilado, quando há a mudança do destilado ela ganha outros nomes, por exemplo, se for usado Vodka, é Caipiroska e se for Rum, chama-se Caipiríssima. Mas o mais importante é ter em mente que Caipirinha é coquetel sim e um dos mais apreciados no Brasil e no mundo. Aos bartenders, tenham orgulho, paixão e dedicação ao preparar uma caipirinha, assim como tem ao preparar qualquer outro coquetel.